PERCEPÇÕES DOS PAIS DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA SOBRE O ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO
Resumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado uma síndrome comportamental de neurodesenvolvimento, caracterizando-se por alterações dos padrões de comportamento, combinados com a dificuldade de comunicação e interação social. Este transtorno envolve atrasos e comprometimentos nas áreas de interação social e linguagem, incluindo uma ampla gama de sintomas emocionais, cognitivos, motores e sensoriais. Um dos principais desafios enfrentados pelo cirurgião dentista durante o atendimento odontológico de pacientes com TEA está relacionado aos movimentos corporais repetitivos da hiperatividade associados a deficiência de atenção, bem como as respostas a estímulos sensoriais (visual, auditivo, olfativo e gustativo), que podem tornar o paciente não colaborativo e agressivo. Nesse sentido, o conhecimento sobre a percepção dos pais e responsáveis sobre o atendimento odontológico, incluindo as técnicas de manejo clínico e comportamental; bem como os desafios enfrentados por eles; são essenciais para que o profissional possa estabelecer um vínculo com o paciente e sua família, proporcionando um melhor atendimento. Objetivo: Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo investigar as percepções dos pais de crianças com TEA sobre o atendimento odontológico. Métodos: Para isso, foi aplicado um questionário com perguntas abertas e fechadas sobre o tema, a 50 responsáveis por crianças autistas atendidas na Associação de pais e amigos dos excepcionais (APAE) de Teresópolis -RJ. A abordagem para coleta de dados foi feita a partir da entrega presencial dos questionários e a participação condicionada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados e discussão: Quanto a idade da criança com TEA, a maioria estava na faixa de 05 a 10 anos, com 44% da amostra; sobre o nível de suporte do TEA na criança, a maioria era nível 3, com 56% da amostra; Quanto a frequência que a criança vai ao dentista, 44% só levam 1 vez ao ano. Conclusões: O vínculo entre família e profissional melhora a qualidade do atendimento odontológico, uma vez que é possível conhecer as necessidades e expectativas dos pacientes e da família atípicas. As dificuldades relacionadas ao atendimento odontológico de pacientes autistas estão relacionadas ao acesso escasso aos serviços de saúde, à dificuldade dos profissionais quanto ao manejo destes pacientes e à sobrecarga familiar em relação ao cotidiano destes pacientes. Novos estudos que descrevam as expectativas e percepções dos familiares de pacientes com TEA são necessários, para que cada vez tente se encontrar caminhos que melhorem o acesso e qualidade de atendimento destes pacientes.
Descritores: Transtorno do Espectro Autista; Pacientes especiais; Odontologia.